Bolha · 2024–em andamento
PRS / Tobias
Dando forma a robôs sociais.
Ajudei a construir o PRS no design da experiência, no comportamento conversacional, na interface de operação e em partes do software.

Bolha
Creative Tech Designer
Design de experiência, Interação conversacional, Desenvolvimento de produto
2024–em andamento
01O ponto de partida
Dar uma camada social a um robô humanoide
PRS é a sigla para Personal Robot System. O projeto surgiu na Bolha em 2024 como um produto interno criado para transformar um robô humanoide numa presença social com quem as pessoas pudessem conversar de verdade.
O trabalho passava por modelo de voz, personalidade, memória, visão e movimento, além de uma interface de operação que deixasse claro o que o robô estava fazendo.
Tobias virou a principal personalidade pública da plataforma. O personagem vivia no PRS, separado do corpo Unitree G1 Edu onde ele rodava. Manter essa diferença clara passou a ser central para o produto.

02Como participei
Da tela de operação ao corpo do robô
Aqui, me concentro nas partes que assumi ou influenciei diretamente. Defini comportamentos de interação, prototipei fluxos, desenhei a WebUI, trabalhei nas configurações de personalidade, testei o robô, investiguei falhas em tempo real e contribuí para a implementação.
Trabalhar tão perto do runtime fazia os problemas técnicos aparecerem com clareza como problemas de design. Latência virava a espera de quem estava conversando com o robô. Uma imagem antiga da câmera mudava a resposta. Um gesto que começava tarde deixava uma boa fala esquisita.
A plataforma era construída pelo time inteiro. Meu papel me mantinha próximo tanto da experiência quanto da implementação, levando decisões da interface para o runtime e de volta.
03O sistema
Personalidade, percepção e ação no mesmo runtime
No estágio registrado neste case, o modelo conversacional rodava dentro de uma camada chamada Brain and Soul. Ela cuidava da sessão de voz ao vivo, das interrupções, do contexto da personalidade e da coordenação entre fala e ação.
O PRS reunia um conjunto registrado de capacidades para memória, visão, gestos, movimento, luz, indicações sonoras e contexto do sistema. As requisições passavam por um orquestrador que verificava cada capacidade, chamava o módulo certo e devolvia o resultado para a conversa. O modelo não controlava o hardware diretamente.
Quando o robô precisava olhar o ambiente, pedia uma imagem ao módulo de visão e esperava a câmera responder de verdade antes de falar. A memória seguia a mesma lógica: uma informação podia ser capturada numa conversa e reaparecer numa sessão posterior.
Essa separação permitia trocar provedores e hardware sem perder a personalidade, que continuava útil em robôs e ativações diferentes.
04Ferramentas de operação
A interface por trás da personalidade
Uma parte do PRS foi feita para quem configurava e operava o sistema. Na WebUI, era possível criar perfis de personalidade, cuidar das memórias, escolher configurações de runtime, iniciar sessões de conversa e acompanhar o que cada módulo estava fazendo.
Nos perfis ficavam as partes do personagem, como identidade, voz e instruções de conversa. Os presets avançados controlavam o ambiente técnico, incluindo módulos ativos, comportamento do hardware e políticas de runtime. Separar essas camadas permitia ajustar uma personalidade sem misturar decisões de infraestrutura com as características do personagem.
Eu desenhei e desenvolvi as telas de controle ao vivo para câmera e áudio, estado do robô, eventos, logs e intervenções diretas. Quando algo parecia errado na interação, quem operava precisava entender se o problema vinha do áudio, do modelo, de um provedor, da rede ou do hardware.
05Interação física
A conversa precisava funcionar no corpo
O encontro com o PRS acontecia pelo corpo do robô. Sem uma tela convencional no meio, as pessoas falavam, interrompiam, entravam e saíam do campo da câmera, esperavam uma resposta e liam significado em cada pausa.
Desenhei a interação entre voz e comportamento físico: como o robô abria uma conversa, lidava com interrupções, combinava gestos e fala e trazia visão ou memória para uma resposta. A recuperação fazia parte do mesmo trabalho. O robô precisava continuar fazendo sentido quando uma capacidade ficava indisponível ou uma ação demorava além do previsto.
Uma resposta podia estar correta no texto e ainda falhar se o tempo da voz parecesse estranho, se os braços se movessem na hora errada ou se o robô não reconhecesse a presença da pessoa à sua frente.

06Testes em público
Foi em público que os limites apareceram
Tobias colocou a plataforma em situações difíceis de reproduzir na oficina. No Summit Iguassu Valley, subiu ao palco durante um evento com mais de três mil participantes. No Ciência Aberta 2026, conversou com visitantes, dançou, jogou capoeira e interagiu com Germana Pires ao longo de um evento que recebeu cerca de 30 mil pessoas.
As participações em podcasts trouxeram outro tipo de pressão. Conversas mais longas iam além de uma demonstração rápida e colocavam perguntas em sequência, opiniões e interrupções dentro da mesma sessão.
Esses testes em público expuseram ambientes barulhentos, vozes sobrepostas, redes instáveis e ações que levavam mais tempo no hardware do que no protótipo. Cada situação deixava mais claro para o time o que o produto precisava resolver em seguida.

07Onde chegou
Sol levou o PRS para a gamescom
Para a gamescom latam 2026, a Claro queria uma nova maneira de apresentar seus produtos gamer ao público. O time usou o PRS para criar Sol, uma personalidade que conhecia a marca, tinha um ponto de vista ligado ao universo gamer e geek e vestia uma fantasia de CJ, de GTA: San Andreas.
Sol conversava com o público, dançava e participava de lutas encenadas. Para essa ativação, mudamos voz, conhecimento, instruções e comportamento, mantendo a mesma plataforma de robô. Sol deixou mais clara a lógica do produto. Tobias era uma das personalidades que o PRS conseguia sustentar.


08O que ficou
O robô ampliou minha ideia de interface
O PRS segue em desenvolvimento e eu continuo envolvido. Este case registra o estágio atual do produto e da minha contribuição.
Passei a tratar estado de runtime, interrupção e recuperação com muito mais precisão, porque tudo isso aparecia no comportamento do robô para quem estava conversando com ele. Uma resposta atrasada podia parecer hesitação. Uma memória desatualizada podia mudar o personagem. Um gesto na hora errada podia desfazer uma resposta que estava boa.
O projeto ampliou minha definição de design de interface. Ela passou a incluir a tela, a fila de eventos, as instruções de personalidade e as poucas centenas de milissegundos entre ouvir e responder.
Leia mais
Onde acompanhar o PRS e o Tobias
A página pública do PRS, do Tobias e da plataforma Unitree G1 Edu.
(abre em uma nova aba)Instagram@tobiasoroboO perfil público do Tobias, com aparições, testes e momentos do dia a dia do projeto.
(abre em uma nova aba)Evento públicoCiência Aberta 2026O relato da Bolha sobre a demonstração pública desenvolvida com o CTI Renato Archer.
(abre em uma nova aba)Registro independenteCTI Renato Archer: Ciência AbertaO relato do centro de pesquisa do governo sobre Tobias, o PRS e o evento.
(abre em uma nova aba)AtivaçãoSol na gamescom latam 2026O case da Bolha mostrando como o PRS foi usado para criar outra personalidade para a Claro.
(abre em uma nova aba)PodcastObcecadas por RobôsUma conversa sobre Tobias, tecnologia criativa e o futuro da robótica no Brasil.
(abre em uma nova aba)Créditos
Produto e desenvolvimentoBolha
Creative Tech DesignerCadu Fantin
Plataforma humanoideUnitree G1 Edu
Colaboração públicaCTI Renato Archer, Divisão de Sistemas Ciberfísicos
Ativação na gamescomClaro / gamescom latam 2026